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Rondonópolis/MT,

Loucas terapias pseudocientíficas


A ciência tem levado a inúmeros avanços na medicina e na saúde, de transplantes de órgãos a tratamentos com hormônios. No entanto, é preciso ter cuidado com o que chamamos de medicina, já que, do outro lado do espectro, há a pseudociência.

Muitas vezes descrita como charlatanismo, formas de terapia pseudocientíficas emprestam a “cara” dos tratamentos científicos, geralmente exibindo máquinas complicadas, jargões e referências a forças impressionantes como campos eletromagnéticos. Enquanto algumas dessas terapias são apenas ideias malucas baseadas em teorias igualmente malucas, outras vêm de uma falta de compreensão científica ou, no pior dos casos, são simplesmente golpes destinados a explorar os ingênuos ou desesperados.

Conheça algumas estranhas formas de terapia pseudocientífica:

Terapia dos ímãs
Ímãs têm fama de ter poderes curativos especiais há muito tempo, seja por influenciar a energia do corpo e campos eletromagnéticos ou por estimular terminações nervosas. O uso de campos magnéticos estáticos para tratar doenças remonta pelo menos ao século 18, quando o médico austríaco Franz Mesmer plagiou o trabalho de um astrônomo e padre chamado Maximiliano Hell, que tratou pacientes com uma placa de aço magnético. E, enquanto Mesmer mais tarde refinou sua teoria transformando-a em “magnetismo animal” e parou de usar ímãs reais, a prática continuou.

Defensores modernos têm sugerido que os ímãs podem ser utilizados para tratar de tudo, de dores lombares a câncer de mama. Métodos de tratamento variam. Empreendedores até já criaram itens de joalheria (como pulseiras e brincos) que incorporam “ímãs medicinais”.

Terapia de cristais
A terapia de cristais envolve uma crença baseada na ideia de que certos tipos de pedras e cristais podem ter um efeito positivo sobre o corpo. A prática parece ter aparecido em diversas culturas ao longo da história, incluindo os nativos americanos e ilhéus do Havaí.

Em alguns casos, os cristais são colocados no corpo em pontos específicos, a fim de criar uma “rede de energia” que promove a cura. Cristais comuns utilizados nesses processos são amazonita (que supostamente fortalece o corpo e mente), ametista (que regula o sistema endócrino e metabolismo) e quartzo (que, dependendo do tipo, tem uma variedade de efeitos diferentes).

Muitos defensores da cura por cristal criam e vendem o que chamam de “escudos bioelétricos”, que são pingentes que protegem o proprietário de forças nocivas, como a radiação produzida por computadores e micro-ondas.

No entanto, não há nenhuma evidência científica credível que os cristais possam ter algum efeito sobre nosso corpo. Além disso, a prática tem sido desencorajada por organizações como a Associação Veterinária Britânica, que alerta donos de animais que o uso de terapia de cristal em vez de tratamentos convencionais podem ter efeitos nocivos sobre os animais.

Terapia da conversão ou terapia reparativa
A terapia da conversão se centra em torno da crença de que terapia ou tratamento podem alterar a orientação sexual de um indivíduo, de homo a heterossexual. Em sua forma moderna, a terapia de conversão descende a partir da teoria de Sigmund Freud que os indivíduos homossexuais podem mudar sua sexualidade através da sugestão hipnótica.

Grupos direitistas religiosos comumente praticam esta forma de “tratamento”. Métodos variam de toques não sexuais a abordagens psicanalíticas e acampamentos para “ex-gays”.

Terapia de conversão é sem dúvida alguma uma das formas mais graves de “curas” pseudocientíficas, porque é baseada em negar a orientação natural sexual dos pacientes. Muitas pessoas submetidas a esta forma de terapia relatam sentimentos de intensa autoaversão e baixa autoestima como resultado. Além disso, vários se assumem homossexualmente mais tarde na vida mesmo depois de “tratados”.

Método Bates
Este método duvidoso de melhorar a acuidade visual foi inventado pelo médico americano William Horatio Bates. Na década de 1920, Bates publicou seu próprio livro (“Perfect Sight Without Glasses”) e revista (“Better Eyesight Magazine”, impressa pela primeira vez em 1919) sugerindo que o habitual esforço do olho causava a maioria dos problemas de visão, e que óculos não eram necessários.

Ele alegou que descansar os olhos por alguns minutos e cobri-los com as mãos podia aliviar esta tensão e permitir que relaxassem verdadeiramente. Ele também avaliou que expor os olhos à luz solar direta – o que pode, naturalmente, causar danos aos olhos – poderia ajudar.

É quase desnecessário dizer que os profissionais de visão modernos não endossam nenhum destes métodos como curas e que há pouca evidência (além de relatos anedóticos) que eles produzem alguma melhora na visão. No entanto, a teoria ganhou apoio de um número de figuras proeminentes ao longo da história, incluindo o escritor de ficção científica Aldous Huxley. Hoje, a Associação Bates (Bates Association) continua a promover este método, e há vários livros disponíveis que se propõem a ensinar a técnica.

Grafoterapia
Há muito tempo se acredita que informações sobre a personalidade das pessoas podem ser extraídas de sua caligrafia. Grafoterapia inverte a lógica dessa ideia, tentando melhorar a personalidade das pessoas através da alteração da maneira como escrevem. Pode soar como ficção científica, mas, no mundo real, grafoterapistas juram que sua abordagem pode mudar traços de personalidade.

Eles utilizam uma variedade de métodos de análise. Por exemplo, um grande laço superior na letra “f” (que representa a capacidade organizacional) supostamente significa potencial de gestão. Enquanto isso, um grande laço inferior sugere alguém que segue ordens bem. Mas mudar a maneira como uma pessoa escreve um símbolo com aulas de caligrafia realmente vai mudar sua personalidade?

Além disso, qualquer evidência de que tais exercícios curam doenças como dependência de drogas e anorexia é puramente anedótica.

Limpeza de cólon
Este tratamento nojento é baseado na ideia de que toxinas não especificadas podem acumular-se no intestino como resultado de comida podre. A solução pseudocientífica oferecida é um regime de limpeza oral (tal como uma dieta rica em fibras ou outros suplementos alimentares) ou uma injeção de água e, por vezes, ervas diretamente no reto de uma pessoa.

Embora a limpeza do cólon tenha legítimas aplicações médicas antes de uma colonoscopia, na vida cotidiana nunca foi comprovada para fornecer quaisquer benefícios reais para o corpo. Na verdade, pode colocar o paciente em risco de lágrimas retais (“rasgos”) e pode interferir com os níveis de eletrólitos naturais. No entanto, ainda é um grande negócio entre naturopatas e praticantes de medicina alternativa.

Terapia primal
Esta abordagem pseudocientífica supostamente trata neuroses e depressão, fazendo os sofredores reviverem sua “dor original”. A terapia baseia-se nas ideias do psicólogo americano Arthur Janov nos anos 1960/70.

Janov acreditava que os problemas psicológicos na vida adulta eram causados por traumas sofridos em uma idade mais jovem. Sua sugestão era de que os neuróticos deviam reviver suas experiências traumáticas novamente quando adultos, a fim de voltar a ter contato com os seus sentimentos e purgar-se da dor. Eles também deviam ser incentivados a gritar bem alto para expressar a dor que sentem.

A terapia primal foi famosamente aprovada pelo Beatle John Lennon, que, junto com Yoko Ono, foi tratado por Janov. Em uma entrevista de 1970, Lennon comentou: “Em vez de guardar emoção ou dor, sinta-a. Eu acho que todo mundo está bloqueado, eu não conheço ninguém que não tem um bloqueio de dor desde a infância, desde o nascimento”.

Radiônica
Segundo os defensores da radiônica, tudo que é preciso para curar um paciente é uma mecha de cabelo, uma gota de sangue ou uma assinatura.

Esta forma de terapia envolve o uso de “máquinas radiônicas” pseudocientíficas que, de alguma maneira misteriosa, são capazes de curar as pessoas de praticamente qualquer doença, uma vez que estiverem devidamente sintonizadas com elas. O processo pode envolver segurar um pêndulo sobre a amostra de algo pessoal do paciente e fazer uma série de perguntas. O curador então descobre qual é o problema de acordo com a forma como o pêndulo se move – e não precisam nem sequer ver seus pacientes.

A informação recolhida é depois introduzida na máquina radiônica como um código numerado ao lado de uma instrução de tratamento. Após isso, o paciente (aparentemente) milagrosamente deve começar a se sentir melhor.

O médico americano Albert Abrams criou tais máquinas no início de 1900 e fez milhões com elas. A terapia tem uma semelhança muito forte com a bruxaria à moda antiga – especificamente, a cura através de feitiços em objetos de alguma forma relacionados com os pacientes. Sem surpresa, a prática não é aceita por qualquer autoridade científica legítima.

Aterramento
Aterramento é uma terapia baseada na ideia de que “aterrar” o corpo pode aliviar o estresse e acalmar distúrbios do sono. Isto é comumente feito usando um tapete de terra para enfiar os pés, ou simplesmente através do paciente andar descalço.

O ex-executivo de TV Clinton Ober desenvolveu a técnica em 1990. Ober supostamente teve a ideia a partir dos seus instrumentos eletrônicos. Ele ponderou que o corpo humano também poderia se beneficiar de ser aterrado. Ober também descobriu que dormir “aterrado” ajudava no seu sono e saúde, e por isso recomendou o processo para outros.

Esta forma de terapia é associada com a noção pseudocientífica comum de que o corpo humano possui um “campo de energia” natural que têm de ser mantido em equilíbrio a fim de conseguir a saúde perfeita. 

Também afirma tornar as pessoas mais resistentes aos efeitos da eletricidade estática e campos elétricos locais.

No entanto, muitas das reivindicações do bem que a terapia faz podem ser atribuídas ao efeito placebo. 

Afinal, andar descalço pela grama provavelmente deixa as pessoas menos estressadas de qualquer maneira.

Reflexoterapia
Reflexoterapia é a utilização terapêutica da reflexologia, uma técnica de tratamento por meio de estímulos em uma área reflexa. Não há consenso entre os reflexologistas sobre como a prática deve funcionar, mas a ideia geral é que algumas áreas no pé correspondem a outras áreas do corpo, e através da sua manipulação, os pacientes podem melhorar a saúde.

Uma suposta explicação é que a pressão recebida pelo pé (ou outra parte do corpo) pode enviar sinais que “equilibram” o sistema nervoso ou que liberam substâncias químicas como a endorfina.

Enquanto existem largas alegações de que a reflexologia pode aliviar o estresse, amenizar a insônia e diminuir dores de cabeça, a comunidade médica rejeita essa forma de “medicina natural”, amplamente considerando-a uma pseudociência. Especialistas concluem que as evidências existentes até o momento não demonstram eficácia desse tratamento em qualquer condição médica.

Cirurgia psíquica
A cirurgia psíquica, como o próprio nome indica, envolve o conceito de fazer incisões cirúrgicas com as próprias mãos para remover o que está causando o problema. O cirurgião psíquico coloca as suas mãos sobre a pele do paciente e, em seguida, pressiona a ponta dos dedos sobre a área a ser tratada. 

Supostamente, as mãos do praticante desaparecem dentro do corpo do paciente, sem dor. O paciente sai sem cicatrizes visíveis ou marcas. Charlatanismo? Você decide.

A prática aparentemente pode ser rastreada até meados do século 20, entre espíritas do Brasil e das Filipinas. No entanto, qualquer que seja a sua origem, hoje é descrita como uma farsa e fraude médica. 

Médicos e céticos descrevem a cirurgia psíquica como um truque. Além disso, mágicos profissionais que estudaram os procedimentos afirmam ter notado truques e técnicas que poderiam muito bem ser perdidos pelo olho destreinado.

Possíveis “curas” podem ser efeito placebo. Testes científicos com cirurgias falsas (no caso, médicos realmente cortaram pacientes para eles pensarem que fizeram um procedimento cirúrgico, mas nada foi feito) mostram que, em alguns casos, o paciente realmente melhora.

Terapia da regressão
Terapia de vidas passadas (TVP), terapia de regressão, regressão de memória ou ainda retrocognoterapia é a ideia de usar hipnose para que a pessoa se lembre de algo que aconteceu no seu passado (na sua infância, que a traumatizou, ou algo que ela bloqueou na mente) ou até de vidas passadas.

Não precisamos nem explicar porque é a uma pseudociência, já que tem em seu conceito a crença em vidas passadas, que até agora não tem como ser comprovada cientificamente. No entanto, praticantes usam a terapia como forma de ajudar as pessoas a se livrarem de fobias, ansiedade, depressão e até questões que eles acreditam que as perseguem por séculos.

Obviamente, a medicina convencional não acredita em tais curas. Um dos maiores expoentes da terapia, o psicoterapeuta Brian L. Weiss, foi expulso da comunidade médica após publicar o livro “Muitas Vidas, Muitos Mestres”, que alegou ter mudado sua vida (e da protagonista).

Apesar da hipnose ser comumente associada à TVP, alguns métodos não a utilizam.