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Rondonópolis/MT,

CouchSurfing:você sabe o que é?

Você vai tirar férias e já começou a se programar para fazer aquela viagem dos sonhos que está nos seus planos há tempos. Mas não sabe ao certo onde se hospedar, que passeios fazer e como gastar menos dinheiro nas programações, não é mesmo? Já ouviu falar em CouchSurfing? Esta pode ser uma ótima saída para quem quer conhecer o mundo de uma maneira diferente, com pessoas dispostas a ajudar.

A rede, criada há seis anos e que conta com 2 milhões de membros, reúne internautas de todos os cantos do mundo que oferecem o seu próprio sofá para hospedar quem estiver à procura de um lugarzinho aconchegante e grátis para ficar. Isso mesmo, a intenção da comunidade é facilitar a troca cultural entre as diversas pessoas que adoram viajar, mas buscam um olhar diferente para os seus passeios. “Este tipo de turismo não é para todos. É uma forma muito emocional de viajar, pois significa partilhar a sua vida, o seu espaço e até a sua privacidade com alguém estranho”, comenta César Valentim, media team leader da CouchSurfing International.

Isso porque não são todos que estão dispostos a receber pessoas em sua casa ou a ficar hospedados na casa de alguém. Mas para quem curte experiências diferentes, esta é uma ótima pedida. Como no caso da advogada Mayara Hadad, 28 anos. Ela se cadastrou na rede em 2005, mas só passou a ser realmente ativa no ano passado, pois estava organizando uma viagem para a Europa e viu no CoachSurfing uma excelente oportunidade para encontrar companhia e casas onde pudesse ficar hospedada por lá.

No entanto, antes de viajar para outro país, Mayara resolveu fazer uma experiência por aqui para saber se a comunidade fazia seu estilo. “Minha primeira experiência como hóspede foi em Maceió. Estava planejando uma viagem maior e achei melhor fazer um teste no meu próprio país antes. Mesma cultura, mesma língua... Foi uma ótima experiência, apesar de no início ser um pouco estranho. Não sabia direito o que fazer, esperar ou como me portar. Mas aos poucos fui me sentindo mais à vontade”, lembra.

Com a aprovação, ela seguiu para a Europa, onde passou três meses, e conheceu vários lugares utilizando seus contatos na comunidade. Paris, Roydon, Edimburgo, Amsterdam, Bruxelas, Nuremberg, Roma, Florença, Viena, Berlim e Barcelona hoje são especialidades da advogada. “Fiz couchsurfing praticamente durante toda a viagem e isso me proporcionou não apenas as melhores lembranças de lá, como também a possibilidade de passar todo esse tempo fora. Se tivesse que arcar com o custo dos hostels, com certeza o tempo de viagem teria sido bem menor”, avalia. Isso porque todo viajante solitário sabe que as maiores despesas de uma viagem são o transporte e a acomodação, fatores que o CouchSurfing ajuda a minimizar.

Como achar o sofá ideal

Apesar de parecer a oportunidade certa para quem quer conhecer o mundo, é preciso tomar alguns cuidados na hora de escolher onde se hospedar. A comunidade preocupa-se em fazer com que as experiências sejam seguras e, para isso, só permitem a participação de pessoas que sejam indicadas por outras da comunidade.

Ao criar seu perfil é preciso que você faça uma rede de amigos que assegurem a sua integridade. E na hora de escolher o sofá a que você pedirá abrigo, a história não pode ser diferente. “É muito importante ler atentamente o perfil e as referências da pessoa antes de mandar qualquer pedido de couch. Pelo perfil, você pode ter uma boa ideia do que encontrará. Fiz isso e nunca fui surpreendida”, ensina Mayara.

Dessa forma, há a possibilidade de conhecer pessoas, culturas e hábitos de uma forma que dificilmente conseguiria como um turista comum. “As vantagens de participar da rede é de poder entrar em contato com pessoas que partilham os mesmos interesses, seja o tipo de música ou o fato de terem gostos culinários parecidos.

Viajar com membros locais de uma comunidade proporciona uma experiência de partilha cultural e educacional que não consegue ser reproduzida através dos métodos tradicionais de turismo. “Ficar em um hotel e conhecer uma cidade ou região através de um guia turístico, ou ficar em um hostel e passear com outros turistas não é nem de perto tão enriquecedor como conhecer um local através dos olhos de um residente”, comenta César.

E na hora de procurar o lugar onde ficará, procure prestar atenção na facilidade de locomoção na cidade onde estiver hospedada, pois assim os seus passeios serão ainda melhores. “Muitas vezes, o seu couch pode estar um pouco afastado da área de interesse da cidade e isso pode ser um problema, principalmente se você tem pouco tempo”, diz Mayara, se baseando na sua experiência.

Viaje sem sair de casa

Assim como os brasileiros são bem-vindos no exterior, muitos gringos vêm para cá em busca de casas para se hospedar. Ou melhor, em busca de um singelo sofá que possa lhe servir de cama. E a rede ajuda estas pessoas a encontrar um abrigo nas terras tupiniquins. “Essa é uma ótima maneira de manter contato com outras culturas, mesmo quando você está impossibilitado de sair pelo mundo, por causa do trabalho ou estudo. “Dá um gostinho de viagem mesmo sem sair de casa”, aponta a advogada.

Foi isso, aliás, que chamou a atenção de Mariana Marques, 19 anos. A estudante passou a fazer parte da rede em fevereiro de 2009 devido à sua vontade de conhecer gente de outros lugares. “Entrei no site, me cadastrei e comecei a hospedar e fazer passeios pela cidade com os CouchSurfers. “Esta é uma ótima maneira de conhecer outras culturas”, avalia.

A estudante ainda não teve a oportunidade de viajar para outros lugares utilizando a comunidade, mas já sabe que poderá contar com a ajuda de seus hóspedes quando sair do Brasil. “Você acaba conhecendo pessoas interessantes e sabe que poderá contar com elas quando estiver viajando, seja para uma hospedagem, para um passeio turístico, ou para tomar um café”, diz.

CS meetings

Se você gostou da idéia, mas antes de hospedar membros ou de ficar na casa de alguém prefere conhecer outras pessoas que fazem parte da rede, uma boa solução são os encontros realizados entre os CouchSurfers. “Os CS meetings acontecem normalmente em um lugar bem característico de cada região”, diz Loide Mara Verdes, 25 anos.

A analista desenvolvedora conheceu a rede em 2005 enquanto fazia uma busca de roteiros na Internet e desde então não para de encontrar gente nova. “Sempre procuro ajudar os viajantes que passam pela minha cidade”, diz a amazonense que mora em Manaus. Ela adora a troca que acontece entre os membros e sempre está disposta a ajudar quem lhe envia uma mensagem através da comunidade.

“A troca que mais presencio é a disponibilidade das pessoas em receber os viajantes para um café. Para quem está viajando é difícil saber quais são os melhores lugares para visitar e quais são os melhores dias para fazer cada passeio. “Assim, os moradores locais podem dar dicas de passeios – diferentes dos badalados – e também ajudar o viajante a baratear os seus custos”, diz Loide Mara.

Outra possibilidade é o aprendizado de novos idiomas, já que você acaba conhecendo pessoas de todo o mundo. “Existem muitos CS meetings para troca de idiomas, onde a pessoa ensina sua língua e aprende a língua do outro, no estilo ‘mi português por tu español’, ‘my Portuguese for your English’”, recomenda a analista.

“Stansted - Emergency Couch”

Outra facilidade da comunidade é a ajuda dada para pessoas que precisam se hospedar devido a um imprevisto. A advogada Mayara passou por isso em uma de suas viagens pela Europa e pode ver de perto como tudo funciona “Fiquei presa no aeroporto de Stansted, na Inglaterra, depois de ter perdido o vôo para Nuremberg, devido à quantidade de neve que tinha na cidade. “Consegui remarcar o voo para o dia seguinte, mas como não havia a menor condição de voltar para Brighton, onde estava hospedada na casa de uma amiga, teria que dormir no aeroporto”, lembra.

Foi então que ela tentou um “emergency couch” pelas redondezas. Ela postou seu pedido explicando a situação e dois membros responderam. “Um deles tinha o perfil normal. O outro tinha o perfil bem mais extrovertido e uma foto de cueca na neve. “Depois de ponderar um pouco, decidi aceitar a oferta do de cueca”, comenta, aos risos. Mayara pensou que se ele tivesse alguma segunda intenção colocaria uma foto mais apresentável no perfil, não uma de cueca, não é mesmo? Foi assim que ela conseguiu sair do caos do aeroporto e dormir em uma casa aconchegante – com direito a suíte e tudo mais.


Fonte: Revista Ouse, Ed. 8-iTodas