Rondonópolis/MT,

Maneiras estranhas e criativas de “viver” ou “usar” seu corpo após a morte


Se você acha que ser enterrado ou cremado é, digamos “muito mainstream”, doar roupas velhas para os pobres, comprar brinquedos para crianças carentes ou participar de campanhas para arrecadar presentes de Natal em dezembro são gestos legais, mas que você pode estar devendo alguma coisa à humanidade. Talvez seja uma boa ideia avaliar as (bizarras) alternativas que listamos a seguir.

COMO “VIVER” APÓS A MORTE

SER JOGADO COMO UM FRISBEE
Quando Ed Headrick (“pai” do Disc Golf, esporte em que o jogador deve acertar um alvo usando um frisbee) morreu, em 2002, seu corpo foi cremado e as cinzas foram misturadas com plástico para fazer frisbees – dados como recordação para amigos e familiares. Uma opção para quem não gosta da ideia de ficar parado (mesmo depois de morto).

SER TRANSFORMADO EM DIAMANTE
Embora não sejam tão brilhantes ou valiosos quanto os naturais, diamantes feitos em laboratórios são considerados bonitos o suficiente por muitos fabricantes de bijuterias. Eles podem ser produzidos a partir de praticamente qualquer fonte de carbono – o que inclui cinzas humanas. Isso dá um novo significado à frase “aquela pessoa é joia”.

VIRAR FOGOS DE ARTIFÍCIO
Se você gosta de espetáculos de luzes, por que não pedir que suas cinzas sejam misturadas a fogos de artifício? Depois que um corpo é cremado, normalmente sobra de 2 a 3 kg de cinzas, que podem muito bem ser aproveitadas naquelas quase intermináveis apresentações de fim de ano.

VIRAR UMA ESTÁTUA
O filósofo e livre pensador Jeremy Bentham achava que enterrar humanos era um desperdício. Como a taxidermia (popularmente conhecida como “empalhamento”) estava fazendo sucesso na época de sua morte (1832), Bentham pediu que seu corpo fosse preservado como se fosse uma estátua, algo que ele chamou de “auto-ícone”. O corpo/estátua continua na University College London (Inglaterra), e foi levado algumas vezes a reuniões – nas atas, Bentham era registrado como “presente, mas não votando”.

VIRAR MUNIÇÃO
Os amantes de armas de fogo talvez gostem da ideia de participar de uma boa caçada depois de morrer. Em 2004, um especialista em espingardas foi cremado e suas cinzas foram usadas em 300 cartuchos. Antes que a viúva e amigos do casal fossem à caça, os cartuchos foram abençoados por um vigário, que considerou “pouco usual” esse método de descarte de cinzas.

ENCADERNAR UM LIVRO
No século 17, a prática de usar pele humana para encadernar livros era relativamente comum – tanto que tem até mesmo um termo específico (“bibliopegia antropodérmica”). Ironicamente, um dos responsáveis pela Conspiração da Pólvora (tentativa de assassinar o rei Jaime I, da Inglaterra, em 1605) teve sua pele usada para encadernar um livro que descrevia seus crimes.

DECORAR UMA CONSTRUÇÃO
O Ossuário de Sedlac (República Tcheca) não é uma construção muito amigável: paredes e teto são cobertos por crânios e ossos humanos, o que garante seu sucesso entre turistas mórbidos.

VIRAR VIDRO
Como ser transformado em diamante é relativamente caro, ter suas cinzas usadas na fabricação de objetos de vidro é uma opção mais em conta.

VIRAR UM DISCO DE VINIL
O site andvinyly.com oferece um serviço peculiar: por cerca de £ 3 mil (cerca de R$ 10 mil), você pode ter suas cinzas prensadas em 30 discos de vinil com sua música favorita – também é possível gravar uma mensagem com sua voz.

PARTICIPAR DE UMA PEÇA DE TEATRO
Em uma das cenas mais conhecidas do teatro mundial, o personagem Hamlet contempla a ideia de suicídio (“ser ou não ser? Eis a questão”) enquanto olha para um crânio humano. Como não tem falas, o papel da caveira é talvez o mais fácil de ser interpretado na peça, algo a ser levado em conta por quem se considera tímido demais para atuar.

COMO “USAR” SEU CORPO APÓS A MORTE

Assim como você é caridoso em vida, por que não o ser também após a morte? Você poderia começar a pensar em uma espécie de doação macabra: o seu corpo.

Vamos contar a história do americano Nathan Bazzel. Homem precavido, ele já fez seus planos. Em 2001, Bazzel assinou todos os documentos necessários para doar partes de seu corpo para o Museu Mutter, uma parte da Faculdade de Medicina da Filadélfia. Um amigo dele trabalhava lá, e ele sabia que pesquisadores de todo o mundo viajariam para olhar sua vasta coleção de partes do corpo. Bazzel, de 38 anos, é HIV positivo, e ele quer que os cientistas aprendam com os seus restos mortais.

“Se apenas uma pessoa pode dar uma olhada no meu crânio e nos rins, que sofreram com o HIV e as drogas usadas para tratá-lo e aprender algo com eles, já será um presente magnífico”, alegra-se.

Ele se tornou tão apaixonado pela causa que, no mesmo ano em que assinou os formulários para sua doação pós-morte, ele doou seu quadril direito, que teve de ser substituído por causa de danos causados por uma droga do HIV, e três anos mais tarde, ele doou seu quadril esquerdo.

Bazzel já viu os benefícios de ter partes reais do corpo humano em exposição. Quando alunos do ensino médio vêem as deformidades nos seus quadris, suas palestras sobre a importância do sexo seguro assumem um significado completamente novo.

Claro que ter o próprio corpo exposto em um museu não empolga todo mundo. Caso não lhe apeteça, aqui estão algumas maneiras que você pode fazer com que seu corpo continue tendo uso depois de morrer. Em muitos casos, você pode fazer mais do que um:

DOE SEUS ÓRGÃOS

Dezenove pessoas morrem todos os dias à espera de um órgão como o rim, coração, pulmão, fígado ou pâncreas. Saiba mais sobre doação de órgãos, assine um cartão de doador de órgãos, diga à sua família os seus desejos, e não se engane com mitos sobre a doação de órgãos. Apenas tome cuidado que nem todos os órgãos podem ser doados.

DOE SEU TECIDO
Seus ossos, ligamentos, válvulas cardíacas e córneas não poderiam ser úteis para você no futuro, mas certamente pode ajudar alguém. Saiba mais sobre a doação de tecidos, assine um cartão, e mais uma vez, avise aos membros da sua família que você fez isso para que eles não sejam surpreendidos quando a hora chegar. Tal como acontece com os órgãos, você pode especificar que tipos de tecidos que você gostaria de doar.

DOE SEU CORPO PARA UMA UNIVERSIDADE
Ajude um futuro médico a aprender sobre o corpo humano tornando-se um cadáver dissecado nos laboratórios do primeiro ano de Medicina. Cheque onde se encontra o curso de Medicina mais perto de você e certifique-se de perguntar exatamente o que vai acontecer com seu corpo. Embora você possa ser utilizado para dissecção, poderá ser utilizado para outros fins dentro da escola, e talvez você não tenha muito controle sobre isso.

AJUDE MÉDICOS A PRATICAR SUAS HABILIDADES
Se você preferir ser trabalhado por pessoas com mais experiência, médicos podem aprender com seu corpo. Na Educação Médica e Instituto de Pesquisa em Memphis, Tennessee, os médicos treinam suas habilidades e aprendem novas técnicas. Os médicos começam a prática (e, eventualmente, a cometer erros) nos mortos e não vivos. Como agradecimento à sua doação por inteiro, o instituto providencia o transporte do seu corpo para Memphis e paga pela cremação – uma vez que o trabalho é feito, as cinzas retornam à família (ou, se preferir, para uma instalação de sepultamento em Memphis). Se você gosta da idéia, você pode preencher um formulário do doador. Se você preferir ver primeiro onde seu corpo está indo, o instituto recebe os visitantes.

DEIXE O SEU CORPO NA “FAZENDA DE CORPOS”
Você já se perguntou como, em programas de TV, os detetives sabem o tempo da morte só examinando o corpo? Policiais podem agradecer ao pessoal do Centro de Antropologia Forense da Universidade de Tennessee por ajudá-los a descobrir. “A fazenda de corpos”, como é conhecida, tem “mais de 650 esqueletos” espalhados por 2,5 hectares, em Knoxville, de acordo com seu website. Pesquisadores e alunos estudam os corpos em vários estágios de degradação para ajudar os antropólogos e os agentes policiais a responder a questões importantes, tais como a identificação do corpo e do tempo de análise de morte (Para um relato fascinante de uma visita ao centro, leia o livro de Mary Roach chamdo “Stiff”). Se você deseja se tornar um dos esqueletos depois da morte, o processo é muito simples. Obtenha o Pacote de Doação de Corpo, preencha o Documento de Doação de Corpo e complete o questionário biológico. Eles requisitarão uma foto sua para ajudá-los a aprender mais sobre a “reconstrução facial e superposição fotográfica como meio de identificação de indivíduos desconhecidos”, explica o site do centro. Para quem vive em Tennessee e dentro de 200 quilômetros de Knoxville, todas as despesas são pagas pelo Centro. Se não, a família do doador deve se responsabilizar por organizar o transporte para o centro. Uma vez que o corpo é doado à “fazenda”, a família não recebe os restos mortais de volta. Por isso, se isso é importante para você, essa não é a melhor opção.

TORNE-SE UM CADÁVER DE TESTES DE COLISÃO
Manequins de plástico são ótimos, mas não há nada como um verdadeiro corpo humano para simular o que acontece em um acidente de carro. Você pode enviar seu corpo para a Escola de Medicina da Universidade de Wayne State e se tornar um cadáver de testes de colisão, basta preencher o formulário requisitado. O documento é para doação para a universidade como um todo, mas “se uma pessoa pede especificamente que o seu corpo seja usado em testes de segurança que estão em curso no laboratório de Bio-Mecânica, nós ficaríamos honrados em atender ao pedido”, declara Barbara Rosso-Norgan, supervisora mortuária da escola.

DÊ AO SEU CORPO A UM CORRETOR
Não queremos dizer corretor da bolsa, mais um corretor de corpos, que encaminhará seus membros a cientistas. Eles, por sua vez, o utilizarão para pesquisa, treinamento e educação. De um modo geral, os grupos trabalham da seguinte forma: eles pagam para transportar seu corpo até a incorporação. Além disso, eles pagam pela cremação das partes que não foram usadas na pesquisa e pelo transporte das cinzas de volta à família. Uma baita economia de dinheiro. O lado ruim: Você não sabe aonde suas peças vão. “Nós não podemos garantir o destino dos membros, já que nossas investigações estão sempre mudando”, explica Kristin Dorn, gerente de relações comunitárias na Science Care, empresa do ramo. “A intenção é doar para a ciência, não um projeto de pesquisa específico”, completa.

ENVIE O SEU CORPO EM UMA TURNÊ
A exposição “Body Worlds” ficou famosa no mundo todo por mostrar corpos sem pele em atividades comuns aos seres humanos. Você também pode fazer parte dessa arte! Depois de morrer, lógico.
Se você mora nos Estados Unidos ou no Canadá, seu corpo será embalsamado em seu próprio continente e, em seguida, transferido para a Alemanha, onde os técnicos irão realizar o processo de plastinação: um processo de posicionamento e endurecimento do corpo para que ele pareça de um humano vivo. Eles removem a gordura e água, “impregnam” seu corpo com silicone e o posicionam em poses estáticas (você pode estar correndo ou sentado de pernas cruzadas, dançando balé ou andando a cavalo). O processo todo leva cerca de um ano, segundo o site do grupo. Sua família deve pagar todas as partes do processo. Existem regras sobre a doação. Você pode ser velho ou doador de órgãos, mas não pode ter morrido de forma violenta. Isso porque o cadáver deve estar “praticamente intacto” para a exposição. Além disso, não há garantia de que seu corpo irá acabar em uma das cinco exposições. “Alguns corpos plastinados são enviados a escolas médicas e programas de treinamento, e você não consegue decidir o destino do seu cadáver”, conta Georgina Gomes, diretora do instituto de desenvolvimento.

TORNE-SE UM ESQUELETO
Pesquisadores de todo o mundo visitam a extensa coleção de esqueletos no Museu Maxwell de Antropologia, da Universidade do Novo México. As regras do jogo: Sua família paga para transportar seu corpo para as instalações do museu, em Albuquerque, e seus restos mortais (com exceção dos ossos, é claro) são cremados e eliminados, eles não voltam para sua família. Os pesquisadores que querem trabalhar com os esqueletos têm de se inscrever no laboratório do museu do Homem Osteologia. Os esqueletos são colocados em exposição para qualquer um ver no local.

FAÇA PARTE DA EXIBIÇÃO DE UM MUSEU
Agora sim você tem a oportunidade de ser visto por todos no museu. Assim como Nathan Bazzel, do início da matéria, você pode doar partes do seu corpo para o Museu Mutter da Faculdade de Medicina da Filadélfia. Se você fizer isso, você será parte de um grupo muito reduzido. Anna Dhody, a curadora do museu desde 2004, recebeu apenas três inquéritos sobre doação após a morte, incluindo o de Bazzel. “Uma mulher contactou-me e disse: ‘Eu tenho uma curvatura de 120 graus na minha espinha. Vocês gostariam de tê-la depois que eu não precisar mais dela? ’ e eu disse: ‘Sim, por favor! ’”, recorda-se Dhody. Embora o museu esteja particularmente interessado em órgãos com anomalias, ele vai também considerar receber seus restos mortais, mesmo que não haja nada particularmente patológico sobre eles. De qualquer maneira, sua família terá de pagar a conta para você ficar famoso no museu

Fonte: HypeSciense, [Listverse], [CNN]