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Fatos curiosos sobre mumificação de animais

Em 1890, um navio transportou 180 mil múmias do Egito para Liverpool, na Inglaterra. O que hoje parece barbaridade não chocou: as múmias não eram humanas, mas felinas. Vendidos à tonelada, os restos mortais dos gatos foram transformados em pó e espalhados pelos campos ingleses como fertilizantes. Arqueólogos descobriram muitas outras espécies mumificadas: cachorros, gazelas, bois, babuínos, crocodilos e, em maior número, íbis – ave parente das garças e cegonhas. Alguns animais eram sagrados, outros, bichinhos de estimação. Sem contar aqueles que eram oferecidos aos deuses. Ficou intrigado com a história? Então, confira 10 curiosidades sobre a mumificação animal.

1. As múmias animais mais antigas são cães, leões e jumentos, enterradas com os faraós da primeira dinastia – por volta de 2950 a.C. Os egípcios acreditavam que mumificar esses animais de estimação permitiria que seus donos usufruíssem de sua companhia na vida após a morte.

2. Não só os Faraós mumificavam seus animais. Na época de trigésima dinastia (380 – 343 a.C.), um homem chamado Hapymen foi sepultado junto com a múmia de um cão enrolado aos seus pés. E uma gazela cuidadosamente mumificada foi guardada junto ao sarcófago de uma mulher chamada Ankhshepenwepet, enterrada na 25 dinastia (712–664 a.C.).

3. Durante os séculos seguintes, alguns animais de senhores ricos receberiam enterros elaborados. Um sarcófago de gato mostra o animal recebendo oferendas de flores e comida. O caixão foi encomendado pelo Filho do Rei Tithmose, artífice-chefe, durante a vigésima terceira dinastia (ou mais tardio).

4. É possível que alguns animais de estimação tenham sido mortos quando seus donos morreram. Mas os arqueólogos do Projeto Múmia Animal, ligado à Universidade Americana do Cairo, acham mais provável que eles tenham sido mumificados depois de morte natural.

5. Os egípcios também mumificavam pedaços de animais. Bifes, gansos e patos gordos eram salgados, secos e envolvidos em linho. Era uma forma de garantir provisões para a outra vida.

6. Outros animais foram mumificados por serem representantes de carne e osso dos deuses. Um exemplo é o Touro-Ápis, avatar do deus Ápis. Esse animal sagrado era venerado pelo povo e bem cuidado pelos sacerdotes em Mênfis. Quando morria, a sua essência divina passava para outro touro, mas o corpo era mumificado.

7. O cadáver do Touro-Ápis era depositado em uma mesa de mármore travertino e mumificado em um processo que durava 70 dias – 40 só para secar toda a carne. Durante o funeral, o povo chorava e arrancava os cabelos em sinal de luto, enquanto sacerdotes, oficiais e cantores do templo levavam o corpo para catacumbas destinadas exclusivamente ao animal e seus antecessores sagrados.

8. Dezenas de milhões de múmias animais foram oferecidas aos deuses durante as últimas dinastias e o domínio greco-romano. Criados aos milhares pelos sacerdotes para serem mortos, mumificados e oferecidos, esses animais tinham uma mumificação mais grosseira – às vezes, por exemplo, o corpo era preenchido com areia e lama.

9. Cada deus tinha um animal que o representava. Thoth recebia ofertas de íbis e babuínos; os deuses com aparência de cães Khentiamentu e Wepwawet recebiam múmias de cachorros e chacais; Bast ganhava múmias de gatos – foram suas oferendas que viraram fertilizante na Europa.

10. Arqueólogos da Universidade Americana do Cairo tiraram raios-X de muitas múmias e descobriram que muitos sacerdotes eram corruptos. Havia animais comuns embalsamados como se fossem espécies raras; e as tiras de pano das múmias às vezes eram preenchidas apenas com ossos de animais. Ou areia e lama.

Fonte: Superinteressante por Nilbberth Silva