O número de empresas suspeitas de serem pirâmides
financeiras subiu de sete, no início de
julho, para 18 nesta semana. Duas delas, BBom e Telexfree , já tiveram as
contas bloqueadas pela Justiça.
"A gente está sabendo de 18, mas o número talvez seja
maior", diz a procuradora da República em Goiás Mariane Guimarães de Mello
Oliveira, integrante de uma força-tarefa formada pelo Ministério Público
Federal e pelos ministérios públicos estaduais para investigar esse tipo de
crime.
A procuradora, que atuou no caso Avestruz Master – a última
grande pirâmide financeira de que o País teve conhecimento – prefere não
revelar o nome das empresas investigadas. Em 2 de julho, entretanto, o
Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN) anunciou investigações contra
Telexfree, BBom, Cidiz, Nnex, Priples e Multiclick .
Procurado nesta sexta-feira (12), o promotor do departamento
de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Rio Grande do Norte, José
Augusto Peres Filho, preferiu não adiantar dados sobre as investigações. Ele
também não confirmou o nome das empresas que são alvo de inquéritos no órgão.
Representantes da Telexfree, da BBom e da Cidiz sempre
negaram irregularidades. A Nnex não retornou os contatos feitos em 1º de julho.
Os responsáveis por Multiclick e Nnex não foram localizados.
As eventuais relações entre empresas suspeitas também é
objeto de investigação, afirma Mariane Oliveira, a procuradora da República de
Goiás.
"Entre a BBom e a Telex já se apurou que sim, embora os
donos sejam diferentes", diz a procuradora. O dono da BBom, José Francisco
de Paulo, nega a informação .
Onda das pirâmides
O principal ponto comum entre várias das empresas sob
suspeita é a utilização do marketing multinível (MNN). Essa técnica de varejo,
legal, consiste em criar redes de comerciantes autônomos que ganham não só ao
vender produtos ou serviços, mas também ao atrair outros vendedores para a
rede.
O que diferencia o MNN regular de uma pirâmide é que, no
caso da fraude, a sobrevivência do negócio depende da contínua entrada de
pessoas na rede. Como a população é finita, o sistema é insustentável.
O temor de que o País viva uma onda de pirâmides financeiras
surgiu após as ações do Ministério Público do Acre (MP-AC) contra a Telexfree,
que informa prestar serviços de telefonia por internet e conta com ao menos 450
mil associados. Eles são remunerados por vender os pacotes de minutos, por
postar anúncios na internet e por angariar mais gente para a rede.
No dia 18 de junho, a empresa foi impedida de recrutar novos
associados e teve as contas bloqueadas . A juíza Thaís Khalil, da 2ª Vara Cível
de Rio Branco, aceitou a denúncia do MP-AC de que o faturamento da empresa
depende das taxas de adesão pagas por esses associados e não da receita com a
venda de pacotes de minutos. A decisão continua em vigor.
Com o mesmo argumento, a juíza substituta da 4ª Vara Federal
de Goiânia, Luciana Laurenti Ghelle, bloqueou as contas da BBom . Fundada em
fevereiro como o braço de marketing multinível da empresa de monitoramento
Embrasystem, a BBom tem cerca de 300 mil associados.
No dia 1º de julho, o iG revelou que, além da Telexfree,
outras seis empresas eram alvo de algum tipo de investigação no País. Agora, a
força-tarefa de MPs e MPF coloca 18 companhias sob suspeita – ao menos 14 delas
já são alvo de algum processo formal de apuração, como inquéritos civis ou
criminais.
Mariane fala em uma versão brasileira da "febre"
de pirâmides financeiras que ganhou força nos Estados Unidos nas últimas
décadas, motivada pela popularização da internet.
"Nos EUA houve cerca de 600 empresas [ investigadas ].
Teve uma febre. Essa onda está chegando no Brasil agora", diz ela. "É
bom que a população fique atenta porque às vezes vai perder dinheiro. As
experiências de Boi Gordo e Avestruz Master [que causaram prejuízos a milhares
de investidores] não foram suficientes para alertar o consumidor."
Fonte: Economia.ig.com.br