Rondonópolis/MT,

O que você vai ver em 'A desolação de Smaug': contém spoilers!

A gente reclama, acha um absurdo essa história de transformar um livro de 300 páginas em três filmes de três horas, xinga o Peter Jackson de oportunista e ganancioso, reclama da caracterização dos anões. E, no fim, estamos todos nós lá na sala de cinema, ansiosos por mais uma oportunidade de fazer uma jornada muito esperada para dentro do universo maravilhoso da Terra Média. Nem que seja para botar defeito depois.

“O Hobbit: A desolação de Smaug”, segunda parte da saga de Bilbo Bolseiro, chega aos cinemas no dia 13 de dezembro. E não importa se você é perfeccionista, se já desistiu de ver a obra de Tolkien no cinema há muito tempo, se é fã número um da franquia ou se está só curioso para saber como será o dragão Smaug. Você não vai querer perder esse filme. Adiantamos agora algumas coisas que você vai encontrar dentro da sala de cinema. Tudo (quase) sem spoilers (se é que existe ainda algum mistério sobre uma história que tem 76 anos de idade).

1. Closes do rosto de Gandalf
© 2013 Warner Bros. Ent. Todos os Direitos Reservados

É sempre bom lembrar. Quando J. R. R. Tolkien criou o personagem Gandalf, ainda não sabia direito o que ia fazer com ele. O autor provavelmente nem tinha inventado que o mago era um representante de uma raça superior que cumpre um papel importante dentro da complexa mitologia da Terra Média. Por isso, nas páginas de “O Hobbit”, Gandalf aparece como um mago meio sabichão, meio misterioso, que some de vez em quando, deixando os anões em perigo, e que aparece depois, do nada, para salvar a pele deles. No filme, não é bem assim que as coisas funcionam. Peter Jackson e sua equipe tiveram que criar o mundo de “O Hobbit” já sabendo de tudo o que acontece antes e depois do período retratado no livro. É por isso que, de vez em quando, Gandalf fica com uma cara de que está escondendo alguma coisa de seus companheiros de viagem. Faz todo sentido. Mas fica o desafio: conte quantas vezes Gandalf aparece em close, com uma expressão enigmática, normalmente sustentando alguns segundos de silêncio antes de falar uma frase curta com uma conclusão óbvia.


2. Cenas de ação que duram meia hora

Não é que “A desolação de Smaug” não enrola. Mas diante dos empecilhos um pouco bobos do primeiro filme – tipo o bando de trolls – o segundo filme quase não tem momentos de “paz”. A história anda para a frente o tempo todo. No arco principal (o que acompanha Bilbo, Thorin e os outros anões), a maior parte dos acontecimentos vem de forma bem natural, mesmo os que não aparecem nas páginas do livro. O roteiro tem ritmo e até conseguiu ficar interessante nas inevitáveis partes da história original que tinham todo potencial para ficarem meio chatinhas na tela. Que fique claro: o fato de ter menos enrolação não faz com que o filme seja melhor que o primeiro e nem que todos os seus defeitos devam ser ignorados. Mas essa característica é um ponto positivo da nova adaptação. Em 161 minutos de filme, cenas de ação longas, aceleradas e eletrizantes são essenciais para não deixar a peteca cair. E isso, “A desolação de Smaug” tem de sobra. Até porque…

3. Elfos sendo elfos

Orcs são do mal, qualquer criança percebe. E elfos, bonitos, ágeis e poderosos, são do bem, certo? Não os elfos da Floresta Negra. Se você já leu os livros ou prestou atenção no do primeiro filme, sabe que os elfos que vivem sob o reinado de Thranduil são vingativos, bélicos e bem arrogantes. Principalmente com anões. “A desolação de Smaug” faz questão de reforçar essas características infames nesses seres da floresta. Inclusive, vários personagens e cenas foram inseridas no filme com o único objetivo de: fazer você pirar nos elfos. Como evitar, né?


4. Gente salvando a pele dos outros
É impossível ser feliz sozinho. E a gente sabe bem que uma das ~lições de “O Hobbit” é o poder da união, da amizade, da cooperação. Mas fica aqui outro desafio: assista “Uma jornada inesperada” de novo e veja quantas vezes um personagem em apuros será subitamente salvo por outro, dando uma solução mágica para o problema. É Gandalf salvando anão de troll, é Bilbo salvando Thorin de orc, é águia gigante salvando todo mundo do penhasco.  Não é muito diferente no segundo filme. E <possível spoiler> as “soluções mágicas” normalmente envolvem alguém armado com arco e flechas</possível spoiler>.

5. Evangeline Lilly sendo a única mulher em cena

Fiz uma pesquisa rápida na internet e descobri que tem muita gente por aí rejeitando a elfa Tauriel, personagem de Evangeline Lilly. Calma, não vou dizer que ela é a melhor personagem feminina do ano, nem compará-la com a Katniss Everdeen de “Jogos Vorazes: Em chamas”. Tauriel está longe de ser uma figura complexa, com conflitos profundos que vão além de clichês como o amor impossível (e improvável). Mas mesmo assim, os fãs precisam entender como é importante ter uma figura feminina em cena numa produção desse tamanho. Não é só apelo visual, apesar da beleza de Evangeline Lilly. As coisas andam ruins para as mulheres em Hollywood desde sempre e já está na hora de os blockbusters refletirem as discussões sobre o feminismo e a emancipação da mulher, uma luta que está bem longe do fim. Eu sei, eu sei, não é colocando um personagem que reforça a ideia de que a mulher só existe em função do homem que vamos chegar a algum lugar. Mas Tauriel é melhor do que nada. E “nada” é a quantidade de boas personagens femininas em “O Hobbit” (Galadriel não conta, ela não está no livro). Se você acha que isso tudo é uma bobagem, moço (ou moça)… você é machista.

6. CGI de qualidade

Poderíamos colocar aqui uma imagem totalmente incrível de Smaug, um dos pontos altos da computação gráfica no cinema em 2013. Mas como prometido, nada de spoilers. Fica então um outro exemplo simples e primoroso do resultado dos trabalhos da equipe de efeitos visuais e CGI do filme:

7. Personagens ambíguos
© 2013 Warner Bros. Ent. Todos os Direitos Reservados

Quem diria: há personagens complexos em “A desolação de Smaug”! Outra vez, sem adiantar muito a trama, talvez seja bom que você conheça Bard antes de entrar no cinema.

Ele é morador de uma cidade nos arredores da Montanha Solitária, um lugar que foi atacado pelo dragão Smaug no passado. Bard é descendente de Girion, o último rei humano da região, que defendeu Valle do monstro cuspidor de fogo. Ele cria sozinho os filhos em Esgaroth, e tenta a todo custo mantê-los longe de problemas. Ele está sempre com uma expressão rígida e ressentida, e tem um pé atrás a respeito dos anões. Melhor deixar para que cada espectador tire suas conclusões sobre Bard. Mas garanto que o personagem está bem mais interessante (ou, pelo menos, mais intrigante) que o herói que aparece nas páginas do livro.

7. Um triângulo amoroso que não faz o menor sentido
Apenas uma imagem:

8. Anões, anões e mais anões
© 2012 Warner Bros. Ent. Todos os Direitos Reservados

Ok, são apenas 13. É que, descontando uns 4 ou 5, a maior parte deles não serve para muita coisa além de cumprir o papel do gordinho, ou do boêmio, ou do esquentado, ou do sábio. Só falta a Branca de Neve. Mas, ok, a gente sabe: não é culpa do Peter Jackson. Tolkien criou esses personagens para crianças.

8. Benedict Cumberbatch justificando a euforia de seus fãs
Foto: Getty Images

Ele é Khan, Sherlock, Julian Assange, Alan Turing e um dos seus maiores ídolos nerds. Agora é Sauron. E Smaug. Seu rosto não aparece em nenhuma cena do filme. Mas você sabe que ele está lá:


9. Um clima mais parecido com o de “O Senhor dos Anéis”

© 2013 Warner Bros. Ent. Todos os Direitos Reservados

Como eu disse antes, era ingrata a missão de adaptar uma obra infantil para um público que já está acostumado com uma Terra Média mais sombria. E, até agora, Peter Jackson tem se saído bem. O Gollum de “Uma jornada inesperada” está bem mais próximo do que acompanhamos na saga de Frodo. O mesmo acontece com Gandalf, que se aventura numa trama paralela para mostrar na tela como o Necromante de “O Hobbit” se transformou no Sauron que já conhecemos. Quem é fã pode ficar com preguiça dessas cenas. Mas esses momentos são essenciais para servir de ponte entre o universo ingênuo de “O Hobbit” e a trama complexa de “O Senhor dos Anéis” e foram feitas para expandir ainda mais o público da saga. É que os filmes de “O Senhor dos Anéis” saíram numa época em que o nerd ainda não era tão cool quanto hoje. Depois de anos de filmes de super-herói e grandes adaptações de histórias de fantasia e ficção científica, “O Hobbit” tem a missão de agradar tanto os que já conhecem e gostam da obra de Tolkien quanto para a porção do público que pode achar chatas as partes mais arrastadas de “As duas torres”.

10. Motivos para esperar ansiosamente por “Lá e de volta outra vez”


Vale a pena gastar seu dinheiro num ingresso caríssimo para ver uma história que (por enquanto) não vai para lugar algum? Quem é fã não tem dúvidas: vale cada centavo.

Confira aqui o trailer oficial:


 O Hobbit: A Desolação de Smaug e O Hobbit, e os nomes dos personagens, eventos, itens e locais, são marcas comerciais da The Saul Zaentz Company d/b/a Middle-earth Enterprises sob licença da New Line Productions, Inc. Todas as imagens não-creditadas foram previamente divulgadas pela Warner Bros Ent. em teasers e trailers de “O Hobbit: Uma jornada inesperada” ou “O Hobbit: A desolação de Smaug”.


Foto de capa: ESSA É A CARA DO BILBO DANDO UMA OLHADINHA NO SMAUG (FOTO: DIVULGAÇÃO WARNER BROS.)