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Rondonópolis/MT,

As tribos encolhedoras de cabeça


O ritual de encolher cabeças é uma prática que está ligada à cultura de algumas tribos provenientes de regiões do Amazonas, África e algumas ilhas do oceano Pacífico. Geralmente para conservar os crânios de seus inimigos como troféus de guerra ou, até mesmo, talismãs. 



Há casos, como o do povo Shuar ou Jivaro, um grupo étnico que habita uma faixa da floresta Amazônica entre o Peru e Equador, que acredita que, quando um de seus membros morre, a morte do indivíduo foi provavelmente o resultado da magia de seus inimigos na aldeia vizinha, os Ashuar.


Uma vez que a identidade do assassino foi determinada por um xamã, sob a influência de uma bebida alucinógena, um membro da família da vítima passaria a caçar o inimigo para depois matá-lo e executar uma cerimônia de tsantsa (cabeça encolhida). Mas estas não eram tidas como troféus de guerra para os Shuar, já que acreditavam que o espírito do inimigo ficaria preso dentro da tsantsa, impedindo a alma de vingar sua morte.


Em outras situações, o encolhimento de cabeças representa apenas um ritual de mumificação para preservação total ou, pelo menos, parte do corpo de seus entes queridos na esperança que, mesmo após a morte, estes possam ainda se tornar símbolos de proteção da tribo, clã ou família.



TÉCNICAS DE ENCOLHIMENTO


A técnica utilizada pelos indígenas Shuar consiste em diversas etapas. A cabeça é retirada do corpo na altura do tronco em seguida é feito um corte na parte na parte traseira da cabeça por onde são retirados os ossos e separada a carne da pele. Uma vez limpo o couro, este é fervido em água quente com taninos, uma substancia extraído do quebracho, uma planta usada para curtir peles. Após a pele ser curtida, é posta para secar com pedras quentes sendo introduzidas em seu interior. E para que não haja deformação, os nativos Shuar usam uma espécie de clipe de palmeira para manter a boca fechada. O clipe é aplicado nas orelhas. Todo o processo leva seis dias para ser concluído e, no último, é celebrado do final dos trabalhos com uma festa chamada Tzantza ou Tsantsa.


Em Papua-Nova Guiné, o resultado do encolhimento de cabeças esta associada ao desejo de preservar o corpo de seus entes queridos e, para isto, usa-se o processo de defumação após a retirada dos ossos da cabeça.



SUSPEITAS DE ASSASSINATOS PARA TRÁFICO E COMERCIALIZAÇÃO DE TSANTSAS


A descoberta no Equador, em 2008, de seis corpos decapitados tem levantado suspeita de que os assassinatos possam estar relacionados com uma rede de tráfico de cabeças humanas encolhidas, conhecidas no Equador por "tzansas". Os cadáveres foram encontrados em províncias onde viviam as tribos que praticavam este ritual.


Como visto acima, as tribos Ashuar e Shuar são as mais conhecidas por praticar este tipo de ritual e muitas das "tzansas" feitas por eles encontram-se agora em museus. Hoje em dia, a procura de "tzansas" humanas foi substituída pela de macacos.

"As mortes de seis pessoas podiam ser parte de um perigoso mercado internacional para vender “tzansas” originais, cujo preço pode chegar aos 13.400 euros. Mas não temos nada confirmado", afirmou ao “El Mundo” uma fonte não identificada.


O prefeito da província de Morona, Felipe Chumpi Jimpikit, pertencente à tribo Ashuar, não acredita que o crime possa estar relacionado com um ritual que tinha como objetivo capturar o espírito do inimigo e tornar-se mais forte. "Isso seria um crime como qualquer outro, uma violação dos direitos humanos que eu, como autoridade da província, rejeito e condeno e, caso encontremos algum responsável das comunidades Shuar e Ashuar, serão julgados conforme a lei indígena", afirmou.


Fontes: Wikipédia, a enciclopédia livre; Keep My Words, Leandro Lima, e iOnline