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Rondonópolis/MT,

Os cuidados que você deve ter com a sua visão


Imagine-se em um lugar totalmente escuro, sem a menor luminosidade. Qual seria a sensação? Agora se imagine impossibilitado de dirigir ou realizar várias outras atividades por conta de problemas na sua visão. Qual foi a sensação? Apostamos que não foi boa, certo?  Para ajudar na conscientização da necessidade de cuidados preventivos com a sua visão consultamos o Dr. Carlos Gustavo, oftalmologista pela UFPE, para nos esclarecer dúvidas e nos trazer dicas importantes. Fique de olhos bem abertos para esta matéria e boa leitura.

OS CUIDADOS BÁSICOS

Esses começam já no primeiro mês de vida com o teste do olhinho, o teste do reflexo vermelho. Para os pais e futuros pais é importante não deixar de fazer esse teste que previne e diagnostica males da visão como retinopatia da prematuridade, catarata congênita, glaucoma, retinoblastoma, infecções, traumas de parto e a cegueira. O teste é simples e indolor, com duração de 3 minutos no máximo. Consiste em uma fonte de luz que é apontada para a retina do bebê. Quando a retina é atingida reflete tons de vermelho, laranja ou amarelo nos olhos saudáveis. Já quando há algum problema o reflexo ou não é observado ou fica esbranquiçado.

Depois de crescido, as visitas ao oftalmologista devem ser anuais, para aqueles que não apresentam grandes alterações e semestral para aqueles com doenças oculares de maior gravidade, como por exemplo, o glaucoma. É importante ficar atento ao comportamento dos olhos. Sintomas como: cansaços visuais, dificuldade para focalizar as imagens, cefaleia e lacrimejamento, podem ser causados pela falta dos óculos. 

Caso você perceba qualquer mudança no comportamento dos seus olhos, como por exemplo, olho vermelho, dor ou perda de visão, procure o seu oftalmologista imediatamente. 

Nos cuidados com a visão, a higiene ocular é de fundamental importância. Você pode fazê-la na água corrente com xampu neutro para limpeza dos cílios. Os óculos de sol também são um importante aliado nesses cuidados e devem ser usados não só na hora de ir à praia ou à piscina, mas diariamente e de preferência escolha os com 100% de proteção ultravioleta (UVA e UVB).

QUEM COME BEM, ENXERGA BEM

Como a nossa saúde em geral está diretamente ligada a nossos hábitos alimentares, com a saúde específica da visão não seria diferente.

Alimentos ricos em ômega 3, como o óleo de linhaça, azeite e alguns peixes (salmão e sardinha), são ótimos estimulantes para a circulação sanguínea do seu olho, além de melhorarem o ressecamento ocular. Alimentos ricos em carotenoides, como a maça, laranja, mamão papaya, cenoura, couve e brócolis, são responsáveis pela prevenção da função macular (região da retina responsável pela visão central e das cores). A luteína (substância muito presente no ovo), também diminui o risco de degeneração macular. Por outro lado, alimentos ricos em gordura trans e gorduras saturadas podem levar a aterosclerose, doença que prejudica a circulação nos vasos que levam sangue ao olho.

OS MALES HEREDITÁRIOS

Uma vez que muitos problemas de saúde são herdados, convém àqueles com históricos familiares de problemas na visão consultarem com frequência um oftalmologista afim de um diagnóstico precoce de algum mal que possa vir a desenvolver por razões hereditárias.

Segundo do Dr. Carlos Gustavo existem cerca de quatro mil doenças hereditárias e os pesquisadores estimam que um terço delas afete os olhos. Metade das causas de cegueira infantil está relacionada às doenças genéticas oculares. Os problemas mais comuns são: catarata congênita, glaucoma congênito, retinose pigmentar e alta miopia.

OS MALES MAIS COMUNS NOS HOMENS

Em relação às ametropias (tipos de grau), temos: a hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto); a miopia (dificuldade de enxergar de longe); o astigmatismo (que causa visão distorcida para todas as distâncias e fotofobia) e a presbiopia (problema relacionado à idade, onde a partir dos 40 anos, em média, existe dificuldade em focar objetos próximos). 



A VISÃO E OS HÁBITOS

Em um mundo ávido por informação, ler, usar computador e dispositivos móveis em excesso pode prejudicar a saúde da visão. Quem ler muito deve fazê-lo em ambiente de muita iluminação, evitar a leitura em movimento e dar pausas de 5 a 10 minutos se sentir cansaço na visão. Para quem usa óculos é fundamental mantê-los atualizados.

Apesar de não ser recomendada, a leitura em movimento não provoca deslocamento da retina como muitos pensam, o que ocorre com frequência são queixas relacionadas à fadiga da musculatura ocular (músculo ciliar), tais como: cefaleia, cansaço visual e náuseas.

Para aqueles que costumam passar várias horas por dia na frente do computador ou utilizam dispositivos móveis com frequência, é importante controlar a luminosidade do ambiente de forma que as luzes onde está o computador ou o dispositivo móvel, devem estar posicionadas de maneira que não ofusquem os olhos do usuário. Usar filtro com antirreflexo na tela do computador ou nos óculos, também ajuda. Procure posicionar o monitor um pouco abaixo da linha dos olhos, tente aumentar a frequência do piscar e procure o seu oftalmologista para que ele prescreva um lubrificante ocular, caso necessário.

AS VARIAÇÕES DE GRAUS

As ametropias (tipos de grau) tendem a variar bastante ao longo da vida por diferentes fatores. A miopia, por exemplo, tende a aumentar à medida que o olho cresce e tende a estabilizar por volta dos 21 anos. A hipermetropia, de forma semelhante, tende a aumentar da infância até a vida adulta. Por outro lado, pessoas com catarata podem diminuir o grau de hipermetropia (ou aumentarem o grau de miopia). Fatores como peso palpebral, tumores palpebrais, queda da pálpebra superior, doenças na córnea (por exemplo, o ceratocone) também podem fazer com que ocorra alteração no astigmatismo. A chamada presbiopia (vista cansada), tende a iniciar por volta dos 40 anos, aumentando sobretudo o grau de perto até por volta dos 60 anos. Portanto, são inúmeros os fatores que contribuem para o aumento ou diminuição do grau ao longo dos anos.

OS TRATAMENTOS

Para quem já está com algum problema de visão, é importante saber que a medicina oftalmológica tem avançado bastante.
A chegada de novas drogas (chamadas anti-VEGF) como, por exemplo, o Ranibizumab, que é uma medicação que bloqueia a formação de vasos anormais na retina, tem revolucionado o tratamento de algumas doenças oculares como: a degeneração macular relacionada a idade; as oclusões vasculares retinianas e a retinopatia diabética, mostrando excelentes resultados. O tratamento de algumas doenças oculares, como a retinose pigmentar, com células-tronco, também vem sendo pesquisado há alguns anos com resultados promissores.

Com relação às intervenções cirúrgicas, o Dr. Carlos Gustavo, afirma que em primeiro lugar, o paciente tem que desejar realizar o procedimento. Indicações médicas estão restritas principalmente àqueles pacientes intolerantes ao uso das lentes de contato.  É preciso lembrar que o paciente tem que ter a idade mínima de 21 anos, estar com o grau (miopia, hipermetropia ou astigmatismo) estável por pelo menos 1 ano e tem que ter os exames pré-operatórios normais.

Óculos e lentes

Perguntamos ao Dr. Carlos Gustavo a respeito de quem usa óculos se tem a chance de deixar de usar, caso o faz de forma regular. Segundo o oftalmologista, se a pessoa não for submetida a nenhuma intervenção cirúrgica corretiva, provavelmente vai usar óculos por toda a vida. Algumas pessoas acreditam que se usarem os óculos por determinado período o grau vai ficar estável ou diminuir e isso na verdade não está correto. O grau pode até aumentar durante o uso ou diminuir na ausência do uso dos óculos. São inúmeros os fatores que contribuem para as mudanças de grau ao longo da vida.

Os cuidados com os óculos são de suma importância para a saúde da visão. Mantenha os seus óculos atualizados e ajustados (se necessário, vá à ótica fazer ajustes). Mantenha-os sempre limpos, guardando-os sempre em estojos. Na limpeza, procure não usar soluções com alto teor de álcool. Procure removê-los do rosto usando as duas mãos para não entortá-los e nunca os apóie com as lentes para baixo, para que as mesmas não fiquem riscadas.
Para quem trocou os óculos pelas lentes de contato, algumas dicas são importantes para o uso correto. Nunca durma com lentes de contato. Faça a adaptação sempre com um oftalmologista; lave bem as mãos antes de manuseá-las; use os produtos adequados para higiene de cada tipo de lente e faça a troca das mesmas com a periodicidade recomendada.

Para saber mais: www.portaldaoftalmologia.com.br
www.cbo.com.br/novo/

Fonte: Revista Mensch